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Anodia – A (metafórica) reinvenção da roda

É já hábito ouvir-se dizer que a plataforma Windows tem poucas aplicações e poucos jogos, sendo esta lacuna muitas vezes apontada como uma razão para mudar de plataforma. Para combater este estigma, e porque acreditamos que a plataforma Windows tem muito para oferecer, todas as semanas falamos de um novo jogo que talvez não soubesse que existia, para lhe mostrar que ainda tem muito que fazer antes de deixar o Windows.

Quando iniciei esta rubrica há algumas semanas, estreei-me com Jet Ball, uma abordagem original ao clássico Breakout. Esta semana voltamos a visitar o estilo com Anodia, uma abordagem radicalmente diferente ao género. Será que ainda é possível sermos surpreendidos? Respondendo de forma simples, sim. Sem dúvida alguma. Anodia é o jogo mais original que alguma vez joguei neste género, e é impossível não gostar dele.

Normalmente falo da componente estética do jogo no final do artigo, mas este jogo fá-lo de forma tão boa que é impossível não o mencionar já. Já elogiei as animações de vários jogos que tenho vindo a analisar, mas Anodia supera tudo o que vi até agora. Neste jogo, quase tudo tem alguma animação e todas elas são imensamente fluidas e suaves, mesmo num Lumia 640. A própria bola deixa um pequeno rasto atrás de si que é extremamente agradável, mas o simples acto de tocar em qualquer parte do jogo gera uma pequena faísca, quase imperceptível, mas que tem uma animação perfeitamente suave e muito agradável. O cuidado na execução desta componente do jogo é evidente e não deixa absolutamente nada a desejar.

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Mais evidente ainda se torna graças à originalidade dos vários níveis que se encontram no jogo. Se jogar no modo campanha, notará que os níveis estão agrupados de forma temática, embora muitas vezes as associações dos níveis ao tema não sejam totalmente lógicas. Mas, deixando isso de lado, os níveis são incrivelmente originais em quase todos os sentidos.

A noção dos típicos blocos do Breakout é completamente quebrada neste jogo, e em vez dos típicos quadrados temos vários objetos e formas que se comportam de maneiras diferentes. Alguns brilham mais à medida que são atingidos mais vezes, outros começam a mexer-se, e alguns comportam-se quase como se os próprios blocos fossem a bola do Breakout, movendo-se livremente pelo ecrã de jogo, e o jogador pode até usar a sua nave para atingir os blocos como se fossem a bola. E, seja qual for o tipo de bloco, todos têm algum tipo de animação muito bem conseguida quando são atingidos. Poderá, por exemplo, ver estrelas pequenas a cair de blocos com forma de estrela, ou lindíssimos efeitos de luz. Mais uma vez, a componente estética revela-se incrivelmente forte, e a originalidade também é imensa.

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Anodia acaba também por se revelar realista de certa forma. A nave não se move normalmente à mesma velocidade do seu dedo, e pode ver as engrenagens por debaixo dela que alimentam o seu movimento. Pode recolher um power-up (sim, os típicos power-ups também existem neste jogo) que aumenta a velocidade da nave, e a velocidade é representada nas próprias engrenagens com várias faíscas quando a nave se move. Além disso, ao contrário do que se via em Jet Ball, as bolas não se ignoram, e, se forem na mesma direcção, batem mesmo umas nas outras e mudam de direcção. Não deixa de ser bom ver a atenção a estes pequenos detalhes do jogo.

Em termos de conteúdo, o jogo tem bastante para oferecer. Os níveis estão agrupados em pacotes, 3 de tamanho normal que contêm 48 níveis cada um, e dois mini-pacotes que têm apenas cinco níveis cada um. No modo campanha (Campaign), jogará todos os níveis de um pacote de seguida para obter a maior pontuação possível, e testar as suas habilidades. No modo Quick Play, pode escolher um nível específico, o que lhe permite melhorar a sua pontuação nesse nível sem ter de jogar todos os outros.

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O jogo tem também uma unidade monetária que lhe permite comprar coisas como novas naves, novas bolas ou toda uma panóplia de extras que facilitam o jogo ou ajudam a tornar mais agradável se assim o quiser. Pode desactivar certos tipos de power-ups ou fazê-los durar mais tempo. As moedas necessárias para adquirir todas estas coisas são adquiridas ao completar os níveis, sendo que a quantidade de moedas obtida é equivalente à sua classificação em estrelas nesse nível. Por isso, vai demorar algum tempo se quiser desbloquear tudo.

Para finalizar, convém mencionar que o jogo é suportado por publicidade, que não é excessivamente intrusiva, e cuja remoção custa 3 euros. Pode também desbloquear todo o conteúdo que mencionámos acima por cerca de 7 euros, se for demasiado difícil fazê-lo jogando o jogo por si só.

Anodia é, sem margem para dúvidas, o melhor jogo do estilo Breakout que alguma vez joguei, e provavelmente o jogo mais competente a nível técnico que já abordei nas minhas análises. Toda a componente estética é absolutamente fantástica, e a originalidade é enorme. Para além disso, não tenho como criticar o jogo, exceto talvez pela ausência de tabelas de classificação online que permitam comparar as suas pontuações com outros jogadores. De resto, toda a concepção e execução são excepcionais e qualquer fã do género irá adorar este jogo, e não hesito em recomendá-lo a toda a gente. E é bom relevar que existe uma sequela do jogo, caso os níveis do primeiro jogo não cheguem para si. Pode transferir Anodia clicando na imagem abaixo. Diga-nos o que acha, e bom jogo!

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Sobre o autor

João Carrasqueira

Com 20 anos, licenciado em Assessoria e Tradução, João é um grande fã de tecnologia, especialmente tudo o que esteja relacionado com a Microsoft. Também tem uma paixão pelos videojogos da Nintendo.

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